Resultado de exame que detecta infecção por coronavírus pode levar até dez dias, em Goiás

Também há relatos de pessoas que não estão conseguindo fazer os testes pela rede particular por falta de material. Rede pública explicou que o tempo é devido ao aumento da demanda.

Lacen divulga resultado de teste para coronavírus, em Goiás — Foto: Secretaria Estadual de Sáude/Divulgação

Alguns resultados dos exames que podem detectar infecção pelo coronavírus na rede pública demoram até dez dias para ficarem prontos. É o que relata a chefe da Secretaria Municipal de Saúde em Itumbiara, no sul do estado, que disse que o tempo tem sido cada vez maior entre o envio das amostras e os resultados dos testes feitos pelo Laboratório Central de Goiás (Lacen-GO).

“A primeira amostra que a gente mandou, eles nos deram o resultado em 20 horas. Depois em 48. Depois em 72. Hoje faz dez dias que não temos o resultado”, explicou a secretária municipal de Saúde de Itumbiara, Maricel Abdala.

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que trabalha com prazo de ao menos cinco dias para entregar os resultados dos testes, já que a demanda é crescente – eram mais de 1,3 mil casos suspeitos e 29 confirmados até esta quarta-feira (25). O órgão informou ainda que deve aumentar a capacidade de processamento de testes do Lacen, que é de realizar entre 60 e 80 exames por dia, para 100.

Diretor-geral do Lacen, Vinícius Lemes da Silva explicou que o exame é complexo e exige análises da equipe.

“A reação em si demora em torno de seis horas, mas o papel do Lacen vai além de realizar ténica da amostra. Precisa-se avaliar se a solicitação é condizente com a necessidade de testagem. Isso leva um pouco mais de tempo”, explicou.

A superintendente de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim, disse que, apesar da demora em oferecer o resultado dos exames que são capazes de detectar a infecção pelo coronavírus, esse dado é para fins epidemiológicos e não interfere na forma de tratar o paciente.

Presidente do Conselho de Secretarias de Saúde de Goiás, Verônica Savatin afirmou que, enquanto tratam de uma pessoa considerada suspeita, há procedimentos a serem adotados.

“Mantemos o paciente em isolamento, a família em quarentena e fazemos o monitoramento de todas essas pessoas”, afirmou.

Na rede particular, os pacientes têm relatado outro problema: a dificuldade de encontrar kits para realização da coleta da amostra e realização do exame. É o que contou a vendedora Margareth Diniz Mendes, que disse que tenta fazer o teste, mas só encontrou um local em condições de atender à demanda.

“O isolamento já não é fácil, a gente fica pensando um monte de coisas. Eu tenho dois filhos pequenos. Só um laboratório que me disse que vai me ligar porque eu estou na lista. Os outros não têm kit”, contou.

Por meio de nota, a Associação dos Hospitais Privados de Alta Complexidade do Estado de Goiás (Ahpaceg) informou que o problema tem sido enfrentado em todo o País e que, para lidar com essa escassez, “os exames são feitos apenas em pacientes internados”.

Também segundo a Ahpaceg, “a liberação do resultado do exame está demorando até 5 dias”, também justificada pela alta demanda.

G1/Goiás